Porque você precisa de um escritório de design pra chamar de seu.

Recentemente a Netflix lançou um e-commerce onde você pode comprar produtos relacionados a algumas séries, ainda com poucas opções, é verdade, mas que traz uma lição importante: assim como a Coca-Cola, Nike, Apple e um milhão de outras empresas já entenderam, o design é parte da experiência da marca, não importa qual o seu segmento de negócio. Essa frase parece absurdamente óbvia e um clichê sem tamanho, mas está longe de ser uma prática corrente. Vamos entender esse movimento de uma perspectiva histórica:
Antigamente existia a publicidade. Com excessão de poucas marcas, a comunicação se dava através de folhetos e mídia paga. Claro que as marcas tinham lá seus logotipos sempre presentes e eventualmente seus guias de comunicação em casos excepcionais. Tudo muito distante do pequeno empreendedor ou comerciante, cuja marca não passava da placa na porta da loja.
Com as mídias sociais todo mundo virou anunciante, no mínimo, de si próprio. Nunca se produziu tanto conteúdo e esteve tão presente nos meios de comunicação por um custo tão baixo. E mais do que publicar é preciso publicar com frequência para não ser atropelado pelos algorítimos e pela onda de outros “publishers” que, assim como você, precisam de presença digital. É uma guerra cruel, diária e sem data pra terminar. O “always on” virou obsessão. Quando se é quase obrigado a postar com frequência diária é fácil errar. Certamente não passaram despercebidos alguns casos de conteúdo duramente castigados pela audiência, tipo polêmicas entre veganismo e churrasco, associação a celebridades de comportamento duvidoso e por aí vai.
E onde entre o design?
Acho que concordamos que para construir a sua presença digital você não precisa apenas de volume, precisa também de consistência.
Vou usar o caso da Netflix como exemplo: o produto é bom (as séries), elas carregam códigos poderosos e construídos ao longo dos episódios, o que gera um repertório enorme e que por si já se constitui um trabalho de design excepcional. Temperatura de cor dos episódios, figurino, música, linguagem, comportamento, cenografia etc. Esse repertório estético, dessa vez na mão de outros designers, se transforma nos produtos à venda no e-commerce da Netflix. E vai dar lucro? Talvez não, mas expande o raio de comunicação além das campanhas pagas, reforça o comportamento dos fãs e estimula um bom papo como esse que estamos tendo agora. É aí que eu queria chegar.
Outro dia, conversando com um cliente da indústria de material esportivo, comentei: ele cria o produto, escolhe alguém para patrocinar, desenha o uniforme, treina o atleta no discurso da marca, fala com influenciadores do segmento, cria presença em lojas físicas, embala o produto em uma caixa, põe uma etiqueta ali. O trabalho é interminável. E já que deixar de fazer esse trabalho não é uma opção é preciso fazer com uma intenção clara de expressar um posicionamento.
E qual é esse posicionamento? Como todos esses pontos de contato vão refletir isso? O discurso, cores e formas são coerentes?
Para construir essa coerência e relevância você precisa de um escritório de marca pra chamar de seu. Ele gera conteúdo consistente para alimentar a sua presença digital (e não digital).
Seu consumidor quer falar (e deseja continuar falando) com uma única marca em cada segmento. Quer que você entenda o que ele sente e que saiba traduzir isso. Alguém que surpreenda dentro de alguns parâmetros previsíveis e que evolua junto com a categoria. Para isso você precisa de um relacionamento de longo prazo com o design (não necessariamente com o mesmo fornecedor, pois se o design for ruim, troque).
Quando volume, consistência e substância estão alinhados se estabelece o fundamento para manutenção da base de público. Não há milagre que uma agência de mídia digital faça que elimine a necessidade de um discurso e expressão coerente e da produção de elementos (de design) que possam ser usados na comunicação. E o que você quer é o crescimento orgânico.
Analise quais marcas mais admira ou as que mais se lembra. Certamente têm uma expressão consistente e coerente que nasce do produto e extrapola as redes sociais para existir no mundo físico. A sua marca é bem fundamentada o suficiente para dar conta disso sem ser repetitiva e enfadonha? O que ela quer construir no longo prazo?
Grandes marcas geram conteúdo fundado sobre uma base consistente de design criado, por sua vez, sobre um posicionamento estratégico. Nessa ordem.
O escritório de design ajuda na construção desses fundamentos da marca que vem antes das peças de comunicação. O design é introvertido, olha para dentro e expressa esse propósito corporativo. A comunicação é extrovertida, grita para o mundo isso tudo organizado pelo design.
E muito mais do que um escritório de design para chamar de seu, você precisa de “brand assets” para chamar de seu e ninguém melhor que um competente escritório de design para criá-los para você.