Departamento de Design dentro da empresa. Ter ou não ter?

Me perguntaram outro dia sobre o que eu achava a respeito de se ter um departamento de design dentro da empresa. Na verdade já me perguntaram isso várias vezes. A resposta é: “depende”. Se está entre as suas cogitações ou de alguém com quem você trabalha, arme-se desses argumentos que eu exponho abaixo e aumente sua chance de acerto.

Primeiro: o design é estratégico para a companhia?

Para a Apple e para a Nike, por exemplo, é. E por isso eles mantêm departamentos de design com profissionais tier 1 e status de vice-presidência. Mesmo assim uma boa parte do trabalho é comprada de fora, de grandes estúdios e o design vai do produto à comunicação. Nem toda empresa tem vocação para o design que justifique um investimento desses. Tem que ter algo na cultura. Tem que ser natural, aí sim.

Segundo: design faz parte do produto? Às vezes a simbiose entre design e produto é tão grande que é praticamente impossível separar uma coisa da outra. A VISA possui um departamento de design responsável pela interface do usuário no aplicativo do cartão de crédito. A tarjeta plástica enfiada na carteira não é o produto, é uma pequena parte dele e que muito em breve deve deixar de existir. Toda experiência de navegação do aplicativo da marca, intuitiva e agradável é parte do produto e foi desenvolvida pela equipe de design da VISA que se divide entre San Francisco, Austin e Singapura como você pode conferir aqui: https://design.visa.com/index.html. Recentemente o trabalho de “Digital Design System” da equipe de design da VISA foi premiado no Innovation by Design da revista Fast Company e, diga-se de passagem, merecido. A lista de exemplos poderia ser infinita.

Terceiro: para quem vai responder a equipe de design? Se a equipe vai se subordinar a um departamento, como o marketing ou vendas eu sinceramente sugiro que você aborte a ideia. A simples possibilidade já mostra que a empresa não entende a importância do design e que deve ter uma outra razão que faz com que ela tenha sucesso no mercado, por exemplo ser única em seu segmento ou ter alguma fórmula ou matéria-prima que a diferencie. O departamento de design deve ter status de vice-presidência e ter interlocução direta com a liderança da empresa sem ter que ser servil a qualquer outro departamento, tem que haver integração e não submissão. Vou me abster de citar exemplos de empresas (são muitas) onde o design se submete a outros departamentos. O resultado é uma equipe frustrada que vai sumir de lá o quanto antes puder por ter que prestar contas a pessoas que nem entendem a profundidade do trabalho que elas são capazes de fazer.

Quarto: A ideia é cortar custos? Hoje em dia, com o aumento da oferta de serviços e profissionais de comunicação e design no mercado, com a automação de parte das tarefas e a dispersão dos profissionais em estúdios próprios, fugidos da rotina massacrante dos grandes escritórios, é possível contratar excelentes profissionais por preços bastante razoáveis. A não ser que a demanda por design seja muito alta e qualidade não seja o foco, não vejo nenhuma vantagem financeira nisso. Nesse caso levante uma planilha com o seu CFO.

Quinto: inovação constante é rotina na empresa? Departamentos de design eficientes são capazes de colocar a companhia num vórtice de transformação contínua que nem toda cultura corporativa é capaz de suportar. Na acelerada competição contemporânea muitas empresas se vêem obrigadas a mudar sem parar e aí sim vão poder se beneficiar de um pensamento de design contínuo. Se o design é uma necessidade esporádica, melhor demandar de fora.

Não tem certo nem errado. Muitas vezes você pode até combinar as duas soluções. O fato é que, mais importante do que ter ou não uma equipe interna, é entender as possibilidades que o design pode oferecer para o desenvolvimento do portifólio de produtos da sua empresa. E se alinhado com aquilo que o mercado quer, o design é uma a poderosa ferramenta de construção de sucesso dentro ou fora da empresa.

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