As pandemias da pandemia.

Ainda é cedo para conhecer os números definitivos, mas é bastante claro que a Covid-19 já não é o único grande problema de saúde pública que estamos enfrentando no momento.

O isolamento social tem amplificado questões de saúde que ainda não conseguimos contabilizar perfeitamente: aumento do número de suicídios, abuso de drogas lícitas e ilícitas, aumento do sobrepeso e obesidade, divórcios (esses já temos alguns dados: aumentaram 54%, segundo o Colégio Notarial do Brasil — CNB/CF), luto por morte, problemas de pressão arterial motivados por falências e desemprego e por aí vai.

A ideia de se estabelecer uma regra de isolamento conduz a um dilema doloroso para todos: ficar isolado e reduzir risco do contágio versus aumentar o número de problemas relacionados ao confinamento. Se considerar que dentro do sistema carcerário a pior pena é a solitária, estamos desconfortavelmente instalados entre extremos. Note: não sou eu aqui querendo dizer o que é certo ou errado, melhor ou pior.

Aquele ímpeto colaborativo que vimos na primeira onda agora deve ser ampliado para essas outras questões e, acredite, elas não estão acontecendo somente dentro da sua casa.

Antes das soluções que nós do mundo corporativo podemos prover a partir de ajustes nos portifólios de produtos e serviços de acordo com a capacidade produtiva da empresa ou na forma como eles estão posicionados e comunicados, aguardamos a constatação do óbvio pelas autoridades de saúde: que existem “pandemias dentro da pandemia”.

Então, por que esperar?

Os agentes estressores já estão atuando pesadamente sobre a sociedade. Acredito que o setor privado pode contribuir para que os efeitos tão fortes desse stress possam ser de alguma forma atenuados melhorando diretamente a vida das pessoas e indiretamente até a economia, seja você um produtor de vacinas ou um entregador de pizza.

Como nossas ações de posicionamento estratégico e nossas capacidades produtivas podem ajudar a gerar algum conforto e segurança para toda a sociedade em um espectro mais amplo do que somente a redução do contágio?

Não queremos mais mortos por Covid-19, assim como não queremos mais dependentes de álcool ou drogas, dependentes de tela, depressivos e suicidas.

E se você teve a oportunidade de assistir aos debates dos candidatos às prefeituras já deve saber que as autoridades públicas não nos dirão o que fazer. Seremos nós os criadores de solução em diferentes níveis.

O que cada um conseguir criar e propor será visto, usado, copiado e aprimorado e assim, quem sabe, tornar menos duros os números que em breve seremos forçados a conhecer.

E talvez tentar contribuir seja o princípio da cura de alguns dos nossos males.

Hora de colocar a sua equipe na sala (virtual) e começar a colar na parede os post-its com sugestões. Quem começa?

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